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“Criptografar tudo é único jeito de ficar seguro”, diz CEO da F-Secure

Uma das mais tradicionais empresas de antivírus e segurança no mundo, a finlandesa F-Secure é também das maiores defensoras da privacidade na web. E a mentalidade da companhia é, obviamente, compartilhada pelo presidente e CEO Christian Fredrikson, que esteve no Brasil nesta semana. Ele conversou com um grupo de jornalistas sobre o assunto, e também falou de novos produtos da marca – todos relacionados a essa questão.

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O principal item da lista é o app Freedome, que funciona como uma VPN com alguns elementos a mais. Ele foi lançado sem muito alarde no último mês de abril, e cifra o tráfego para impedir que sites – e, por ventura, agências de segurança – rastreiem o que você faz na internet. Parece drástico, mas “criptografar tudo é o único jeito de ficar seguro”, afirmou Fredrikson durante o encontro.

O aplicativo tem, por ora, versões apenas paraAndroid e iOS, ambas com uma interface bem simples: basta apertar o botão do meio para ativar ou desativar a proteção. “Nós escondemos toda a complexidade”, afirmou o CEO. Contando com uma função antimalware baseada na nuvem, o Freedome ainda indica na parte inferior da tela quantas tentativas de rastreamento, sites maliciosos e vírus foram bloqueados, além do volume de tráfego protegido.

Com o programa, assim como com outras soluções de VPN, dá para alternar o “local” da navegação e até “enganar” serviços como o Netflix e o YouTube. Isso depende, é claro, de nodes (nós) instalados em cada um dos países, e o objetivo da F-Secure é colocar um desses no Brasil. Ou seja, por enquanto só dá para usar os de outras regiões, como Finlândia e Alemanha, o que afeta o desempenho da navegação – mas já garante certa proteção.

Curiosamente, o app é também um dos primeiros – se não o primeiro – com a função antivírus a entrar na loja virtual da Apple, como destacou Fredrikson. Ele pode ser baixado e utilizado de graça por uma semana, exigindo uma assinatura mensal (5 dólares/mês) ou anual (25 dólares/ano) para continuar funcionando. Porque, afinal de contas, “não existem produtos grátis”, ressaltou o executivo, referindo-se indiretamente a empresas como o Google. “Vocês acabam sendo os produtos, e trocam os apps e serviços pela sua liberdade.”

Younited e empresas – Fora o sistema de proteção ao tráfego, o presidente da F-Secure ainda falou do serviço de armazenamento na nuvem lançado pela companhia no final do ano passado, o Younited. Funcionando como um Dropbox, mas com foco maior em privacidade (ou seja, criptografia dos dados) e regido pelas “leis de privacidade finlandesas” – das mais rigorosas no mundo, como o executivo fez questão de salientar –, o app dá 5 GB de espaço gratuito, expansível por anuidade.

Também há a possibilidade de se compartilhar conteúdo facilmente, além de integrar os arquivos de outros serviços e redes sociais em um só lugar. E recentemente, o aplicativo ainda ganhou um derivado chamado “Events”, que dá aos participantes de um evento um local em comum para guardar fotos, vídeos e outros arquivos relacionados a uma festa, por exemplo.

Fora essas duas novidades para o consumidor final, o serviço de nuvem também recebeu uma versão voltada para pequenas e médias empresas. De diferente, essa “edição especial” conta com um recurso de colaboração, que, como é de se imaginar, permite que usuários – funcionários, no caso – colaborem na edição de um mesmo arquivo. O sistema de assinatura também é diferente, e você pode checá-lo por aqui.

Privacidade, espionagem e antivírus – Antes de falar dos produtos, no entanto, Fredrikson discutiu os escândalos de espionagem iniciados há praticamente um ano. “Esse estado de vigilância é uma situação um pouco esquizofrênica”, disse ele, que acredita que a privacidade, de certa forma, está perdida. Para ele, os sistemas de espionagem precisam existir, tanto que são usados há tempos. “O que assusta é isso acontecer em massa. Vai contra a essência da democracia, e é por isso que acredito que precisamos brigar pela privacidade.”

Da parte da própria empresa, o executivo afirma que, ao contrário de outras companhias, eles não têm backdoors, as “portas de entrada” que permitem que agências como a NSA verifiquem os dados dos consumidores. “E não as abrimos para nenhum governo, nem mesmo o finlandês”, garantiu o CEO. “Empresas ganham dinheiro para isso, e somos contrários a esse tipo de atitude. E a lei de nosso país é rígida, o que nos ajuda a manter essa opinião.”

“Mas não estamos protegendo criminosos da vigilância em massa, e sim os usuários”, fez questão de lembrar o presidente. Tanto que, com uma ordem judicial, feita dentro dos termos da lei, a justiça pode sim contar com a colaboração da empresa em uma investigação.

Por fim, Fredrikson citou a polêmica declaração da Symantec, de que o “antivírus está morto”, concordando com ela. Mas com um adendo: “O antivírus morreu há cinco anos”.  “Mas ainda precisamos dele para servir como uma das camadas de proteção”, afirmou. As soluções do tipo, para ele, ainda protegem computadores, enquanto outras podem cuidar de dispositivos móveis, da nuvem, do tráfego e da privacidade.

Fonte: InfoAbril

Ricardo Galossi
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Ricardo Galossi

É um apaixonado por segurança da informação, atua profissionalmente há mais de 7 anos na área de tecnologia da informação, onde é focado em análise de vulnerabilidades e testes de invasão. Criou o blog Guia do TI para compartilhar conhecimento, ajudar os mais novos, incentivar debates e manter a comunidade atualizada com as principais notícias da área de TI.

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